Veja o que é #FATO ou #FAKE nas falas dos presidenciáveis no debate da Band
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Oito candidatos à Presidência da República
participaram na noite desta quinta-feira (9) de um debate na TV Bandeirantes.
Estiveram presentes Alvaro Dias (Podemos), Cabo
Daciolo (Patriota), Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB), Guilherme Boulos
(PSOL), Henrique Meirelles (MDB), Jair Bolsonaro (PSL) e Marina Silva (Rede). O
programa foi mediado pelo jornalista Ricardo Boechat.
A equipe do Fato ou Fake checou as principais
declarações dos políticos. Leia:
ALVARO DIAS
"De 2003 a 2010, o
senhor [Henrique Meirelles] esteve no Banco Central, e a taxa de juros Selic
caminhou além dos 15%, até 20%. A dívida pública brasileira cresceu de forma
assustadora de R$ 1,3 trilhão para R$ 5,3 trilhões, quase 80% do Produto
Interno Bruto"
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#NÃOÉBEMASSIM: O candidato Henrique Meirelles assumiu a presidência do Banco Central no
início do primeiro mandato do ex-presidente Lula, em janeiro de 2003. Na
época, a taxa básica de juros, a Selic,
estava em 25%. Sob o comando de Meirelles, a Selic chegou a 26,5% em fevereiro
de 2003. Até junho de 2003, a taxa se manteve em 26,5%. Desde então, em suas
decisões, o Banco Central decidiu por manter ou reduzir (e não aumentar) a taxa
de juros. Em dezembro de 2010, quando deixou o posto, a Selic estava em 10,75%
- ou seja, 14,25 pontos percentuais abaixo da taxa de janeiro de 2003.
Em relação à dívida pública do governo,
houve aumento no período em que Meirelles esteve à frente do BC, entre 2003 e
2010, mas tanto o valor bruto quanto o líquido caíram em relação ao Produto
Interno Bruto (PIB) do país. Segundo dados do Banco Central a dívida líquida do
país passou de R$ 877,9 bilhões em 2003, o equivalente a 58,4% do PIB, para R$
1,423 trilhão em 2010, o que representava 38,5% do PIB. Já a dívida bruta
passou de R$ 1,16 bilhão para R$ 2,42 bilhões no período, mas recuou de 77,4%
para 62,4% do PIB. O valor de R$ 5,336 trilhões da dívida pública só foi
atingido em 2018, quando Meirelles ocupava o cargo de ministro da Fazenda.
“Nós gastamos mais em
segurança do que os países da OCDE, todos eles”
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#FAKE: Os gastos com segurança no Brasil somaram R$ 84,7 bilhões em 2017,
segundo o 12º Anuário Brasileiro de Segurança
Pública, divulgado nesta quinta-feira (9). Isso representa 1,28%
do Produto Interno Bruto (PIB) daquele ano. Em número absolutos, houve um
aumento de 0,85% em relação ao ano anterior, quando foram gastos R$ 84 bilhões,
que representam 1,34% do PIB de 2016.
Nos países membros da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE),
a média da participação dos “gastos com segurança e ordem pública” é de 1,66%
do PIB, segundo dados de 2016, os mais recentes disponíveis em seu site. Dos 31
países da lista, 23 gastaram mais que o Brasil em relação aos seus respectivos
PIBs.
Alemanha, por exemplo, desembolsou mais que o dobro
do Brasil em 2016, segundo dados da Eurostat,
a agência de estatísticas da União Europeia. O país desembolsou 49,9 bilhões de
euros (1,58% do seu PIB). Esse montante equivale a R$ 192 bilhões, de acordo
com a cotação média do euro em 2016. Já o Reino Unido desembolsou 43 bilhões de
euros (1,8% do PIB) ou R$ 167 bilhões.
Somente Islândia (1,31% do PIB), Suécia (1,29%),
Japão (1,24%), Finlândia (1,19%), Noruega (1,17%), Irlanda (1,03%), Luxemburgo
(1,01%) e Dinamarca (1%) gastaram menos que o Brasil.
CABO DACIOLO
"Quanto às urnas
eletrônicas, nós somos o único país onde não existe o voto impresso no
mundo"
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#FAKE: O Brasil não é o único país do mundo a contar exclusivamente com o
voto eletrônico. O International Institute for Democracy and Electoral Assistance (International
IDEA), organização que analisa a democracia em todo o mundo, inclusive
eleições, tem um banco de dados que reúne informações de 166 países e que
mostra que pelo menos 17 realizam eleições com o uso de urnas eletrônicas, com
e sem o chamado VVPAT (uma trilha impressa para verificação do voto).
Um exemplo é a Índia, que começou a utilizar um
modelo de votação eletrônica em 1982 e continua utilizando este modelo desde
então. Em 2013, em uma eleição local, o VVPAT foi utilizado em um projeto piloto,
permitindo que os eleitores verificassem seu voto em um registro impresso, mas
sem acesso físico ao papel. Nas últimas eleições gerais no país, em 2014, o
eleitorado total apto a votar na Índia superou os 800 milhões de pessoas.
"O Ministério da Saúde
deixou de aplicar R$ 174 bilhões na saúde do nosso país num período de dez
anos"
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#NÃOÉBEMASSIM: Os R$ 174 bilhões não investidos na saúde pública constam em um
levantamento da ONG Contas Abertas, feito a pedido do Conselho Federal de
Medicina (CFM) e divulgado em fevereiro deste ano. O valor, no entanto, se refere a um intervalo de 15 anos,
entre 2003 e 2017.
Segundo o levantamento, os R$ 174 bilhões
correspondem a 11% de todo o orçamento da União para a saúde no período
analisado. Se forem considerados apenas os 10 últimos anos do levantamento,
entre 2008 e 2017, o valor autorizado e não pago cai para R$ 123,13 bilhões.
CIRO GOMES
"O país mais competitivo
do mundo é a Alemanha. Será que é por acaso que ali se paga o maior
salário-hora do mundo? A China, que já deu valor ao salário baixo, passou o
Brasil em matéria de custo por hora trabalhada”
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#NÃOÉBEMASSIM: A Alemanha ocupa, na verdade, a quinta posição no ranking de competitividade
global do Fórum Econômico Mundial, atrás de Suíça, Estados
Unidos, Cingapura e Holanda, entre 137 países, segundo dados de 2018. O país
tem também a quinta maior remuneração no ranking de salários por hora do setor
produtivo entre 35 países, atrás de Suíça, Noruega, Bélgica e Dinamarca,
segundo estudo do Conference Board indicado
como fonte da informação pela própria assessoria de Ciro Gomes. A Alemanha só
lidera o ranking de salário-hora se forem consideradas apenas as dez economias
mais industrializadas do mundo, como destaca a equipe do candidato.
Em relação à China, um levantamento realizado pela
consultoria Euromonitor e publicado no ano passado pelo jornal britânico “Financial
Times” mostra que o salário médio dos trabalhadores da indústria do país
asiático no setor industrial de fato ultrapassou o do Brasil. O salário médio por hora na indústria chinesa triplicou entre 2005
e 2016, para US$ 3,60 por hora, segundo o Euromonitor. No mesmo
período, o salário no setor industrial no Brasil caiu de US$ 2,90 para US$ 2,70
por hora.
GERALDO ALCKMIN
"Acabamos com essa
excrescência de imposto sindical, que nem os trabalhadores querem nem os
sindicatos querem. Vão ficar realmente os sindicatos sérios, que lutam pelos
trabalhadores e vão conseguir a sua contribuição nas convenções coletivas"
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#NÃOÉBEMASSIM: Esse ponto da reforma trabalhista foi questionado em 19 ações
diretas de inconstitucionalidade movidas por sindicatos e centrais sindicais no
Supremo Tribunal Federal (STF). O STF, entretanto, manteve a
extinção da contribuição sindical obrigatória em junho deste ano. Desde
novembro de 2017, quando a reforma trabalhista entrou em vigor, muitos
sindicatos continuaram cobrando o imposto sindical por meio de liminares
obtidas na Justiça. Centrais sindicais tentaram articular alternativas para
garantir a cobrança, como a definição de um valor por cada categoria em assembleias.
GUILHERME
BOULOS
"Os bancos no último
trimestre lucraram R$ 17 bilhões enquanto o salário mínimo ficou
estagnado"
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#FATO: O lucro líquido dos quatro maiores bancos do Brasil com ações na
bolsa somou R$ 16,88 bilhões no 2º semestre de 2018, um
crescimento de 17% em relação ao mesmo período do ano anterior. Segundo dados
da Economatica, trata-se do maior lucro consolidado nominal (sem considerar a
inflação) desde o 2º trimestre de 2015. Como o salário mínimo é reajustado
anualmente, não houve variação no trimestre. Em 2018, o aumento do salário-mínimo foi de 1,8%:
de R$ 937 para R$ 954. Esse reajuste do salário mínimo em 2018 é o menor em 24
anos.
HENRIQUE
MEIRELLES
“Voltei ao governo, depois na
Fazenda, e tiramos o Brasil da maior recessão da história, quando estava
destruindo o emprego, sistematicamente, às vezes, mais de um milhão de empregos
por ano. Voltamos a criar e o Brasil criou 2 milhões de empregos"
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#NÃOÉBEMASSIM: O candidato foi ministro da Fazenda do governo Michel Temer, entre
maio de 2016 e março de 2018. Na sua argumentação, Meirelles usou dados da
Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referentes à população ocupada no
trimestre de outubro a dezembro de 2016 e em igual período de 2017. Nesse
intervalo de tempo, o número de trabalhadores ocupados subiu de 90,3 milhões
para 92,1 milhões - um aumento de 1,8 milhão de pessoas. Os dados, no entanto,
escondem a retração do emprego formal. No período em que Meirelles esteve à
frente da Fazenda, o saldo de empregos formais foi negativo em 913.735
posições, conforme dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados
(Caged), do Ministério do Trabalho.
"Venezuelanos estão
fugindo do país. O Brasil já recebeu um número grande de venezuelanos, pouco
menos de 100 mil, mas a Colômbia recebeu 700 mil. Temos que agir para que a
situação da Venezuela mude"
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#NÃOÉBEMASSIM: Os dados citados estão imprecisos. De acordo com os dados da
Polícia Federal, atualizados até meados de abril e divulgados no dia 27 de
julho pela Casa Civil, 127.778 pessoas provenientes da Venezuela entraram no
Brasil entre 2017 e 2018. Destas, 68.968 deixaram o Brasil e 58.810 pessoas
ficaram no país.
Já os dados do governo da Colômbia mostram que o
número de venezuelanos naquele país é maior do que o citado pelo candidato.
Segundo o Registro Administrativo de Migrantes Venezuelanos (RAMV), há mais de
870 mil venezuelanos na Colômbia.
JAIR BOLSONARO
“O cidadão de bem, esse foi
desarmado por ocasião do referendo de 2005”
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#FAKE: O referendo citado por
Bolsonaro ocorreu no dia 23 de outubro de 2005. Na ocasião, houve uma consulta
sobre a proibição do comércio de armas de fogo e munição, não sobre posse e
porte de armas. A população brasileira rejeitou uma alteração aprovada pela
Câmara e sancionada pelo ex-presidente Lula no artigo 35 do Estatuto do
Desarmamento, de 2003, que proibia a comercialização de arma de fogo e munição
em todo o território nacional, salvo para as entidades previstas no artigo 6º
do estatuto, como Forças Armadas, polícias e empresas de segurança privada. A
maioria, 63,68% dos que compareceram às urnas, votou “não”, ou seja, contra a
proibição. As demais regras do estatuto permaneceram sem alteração.
MARINA SILVA
“Hoje nós ainda temos mais de
500 mil crianças que estão fora da escola. Nós temos jovens que terminam o
segundo grau e não sabem nem interpretar um texto"
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#FATO: Cerca de 500 mil crianças da educação infantil (4
e 5 anos) não frequentam a escola. Os números são da ONG Todos Pela Educação,
que coordena a plataforma Observatório do Plano Nacional de Educação (PNE).
Segundo o mesmo levantamento, há ainda 430 mil
crianças de 6 a 14 anos fora da escola. Somados os dois segmentos, os ensinos
infantil e fundamental,
quase 1 milhão de crianças estão fora das salas de aula.
Veja o que é #FATO ou #FAKE nas falas dos presidenciáveis no debate da Band
Reviewed by Alexandre Meireles
on
agosto 10, 2018
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