'Eu queria que eu morresse e eles ficassem', conta sobrevivente de Brumadinho (MG)

A tragédia em Brumadinho (MG) rendeu imagens impactantes que jamais serão esquecidas. Uma delas, foi a de uma mulher que, em meio à lama, foi encontrada por dois funcionários da Vale. Paloma Prates da Cunha, de 22 anos, estava em casa com o marido, a irmã e o filho quando a avalanche de lama levou tudo o que via pela frente.
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No momento que foi encontrada, Paloma mal conseguia se mexer para segurar a corda atirada por um funcionário da Vale. "Estava muito cansada. Não conseguia me movimentar muito bem. Estava com dor no peito e não conseguia respirar direito", relembrou ela.
Antes da tragédia acontecer, a jovem estava em casa com a família e conta que não deu tempo de conseguir salvar ninguém. “Eu estava em casa com meu esposo, minha irmã e meu filhinho de 1 ano e 6 meses. Aonde eu fui encontrada pelo funcionário da Vale era a 200 metros da minha casa. No momento da avalanche, eu estava sentada na cama com meu esposo, meu filho na sala brincando e minha irmã sentada cuidando do meu filho. Quando eu escutei o barulho, eu levantei da cama e eles não, continuaram no mesmo local. Foi tudo muito rápido”, contou.

A auxiliar de cozinha foi levada ao hospital e ficou 4 dias internada. Ainda se recupera do nariz e do osso esterno (peito) quebrados, e o corpo está cheio de hematomas, escoriações e cortes. “Eu queria que eu morresse e eles ficassem. Que tivesse perdido minha casa, tudo, menos meu esposo, meu filho e minha irmã”, disse.
Paloma contou que, em outubro de 2018, representantes da Vale fizeram um treinamento com os moradores da região. “Em outubro de 2018, representantes da Vale foram lá em casa, olharam tudo o que a gente tinha, móveis, animais... Analisaram tudo. Fizeram um treinamento com os moradores, eu não escutei o barulho da sirene no dia. Eu subi para reclamar isso [durante o treinamento]”, relembrou.

O corpo do marido de Paloma foi encontrado e identificado, mas o filho de 1 ano e 6 meses e a irmã de 13 anos ainda estão desaparecidos. "No momento, a única coisa que eu queria era ter minha família do meu lado. Se alguém souber do meu filho ou irmã entre em contato com a gente", pediu.
Todos os quatro estavam em casa, que ficava perto da Pousada Nova Estância, também devastada pelo tsunami de rejeitos da Mina do Feijão. Os corpos dos donos da pousada foram encontrados, mas ainda é incerto o número de vítimas entre as dezenas de hóspedes e funcionários.
Paloma conta que não entende ainda como sobreviveu à avalanche de lama. Repetindo que seria retirada por Deus, a auxiliar de cozinha diz ter tomado impulso em um pedaço de madeira e agarrado ao que viu pela frente. Neste momento, entrou em ação o “anjo”, Claudiney Coutinho, funcionário da Vale que fazia manutenção nos trilhos da ferrovia e localizou Paloma. Ele atirou uma corda e pediu para que tivesse calma, para respirar, que ela iria sair da correnteza.
“Quero muito poder encontrá-lo. Eu ouvi a voz dele me chamando naquela hora. Na verdade, não sei nem o que vou dizer. Só no momento que a gente se encontrar que eu vou conseguir colocar pra fora”, afirmou Paloma
Com a casa destruída, ela mora na casa dos tios em Ibirité, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Mas já pensa em voltar ao local da tragédia. Lá, viveu por 4 anos. A pequena casa que tinha galinhas, cachorros e horta no quintal.
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Fonte:Com informações de G1.
'Eu queria que eu morresse e eles ficassem', conta sobrevivente de Brumadinho (MG)
Reviewed by Alexandre Meireles
on
fevereiro 02, 2019
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