O Pará aparece entre os dez estados mais violento do Brasil no primeiro semestre
A engrenagem que vem fazendo o Brasil bater
recordes sucessivos de mortes intencionais violentas desde 2014 continuou
girando em alta velocidade no primeiro semestre deste ano. Mais uma vez, a
situação é mais grave nos estados das regiões Norte e Nordeste, que ocuparam as
dez primeiras posições do ranking nacional de homicídios.
·
Brasil registra mais de
26 mil assassinatos no 1º semestre
A situação mais dramática é a de Roraima,
estado com a maior taxa de mortes violentas do Brasil no primeiro semestre de
2018. Caso o ritmo seja mantido, Roraima pode dobrar o total de assassinatos em
relação ao ano anterior. Em janeiro de 2017, o estado foi palco de uma rebelião no sistema
penitenciário promovida pela disputa entre facções que
causou 31 mortes.
Além disso, a crise humanitária vivida na
Venezuela acabou criando uma instabilidade política na região, fragilizando as
instituições políticas locais e ampliando a sensação de vulnerabilidade de uma
população já amedrontada. Nesses cenários, se multiplica a oportunidade de ação
para indivíduos e grupos que tentam se impor pela violência. O crescimento das
taxas de homicídio é o principal sintoma da fragilização da legitimidade das
instituições democráticas na região.
Os estados do Rio Grande do Norte, Ceará e
Acre, respectivamente na segunda, terceira e quarta posição do ranking nacional
de homicídios, também enfrentam situações dramáticas, decorrentes de
rivalidades entre facções originadas nas prisões, mas que se espraiaram para os
bairros pobres.
A crise da violência no Rio Grande do Norte
se acentuou no ano passado, quando o estado registrou a maior taxa de
homicídios do Brasil. A rebelião em Alcaçuz,
em janeiro de 2017, com 26 mortos, ajudou a acirrar a rivalidade entre grupos
criminais do estado, que cresceu ainda mais diante da fragilidade fiscal e
política do governo local, que enfrentou greve de polícias ao longo do ano.
No Ceará e no Acre a situação degringolou diante da
truculência na disputa entre grupos regionais, respectivamente Guardiões do
Estado e Bonde dos 13. Aliados do Primeiro Comando da Capital, ambos passaram a
travar conflitos territoriais com os rivais locais que levantaram a bandeira do
Comando Vermelho. Chacinas, mortes de policiais, vídeos de assassinatos e
torturas passaram fazer parte da cena criminal desses estados.
Integram ainda a parte superior do ranking no
primeiro semestre deste ano os estados de Sergipe (5°), Pará (6°), Pernambuco
(7°), Alagoas (8°), Amapá (9°) e Bahia (10°). Todos esses lugares correm o
risco de encerrar 2018 com taxas acima de 50 por 100 mil habitantes caso as
autoridades não consigam implementar políticas capazes de reverter a situação
em curto prazo e reduzir o ritmo de violência.
Apesar do sinal amarelo seguir aceso, alguns
estados vêm conseguindo resultados consistentes na redução das taxas de
homicídios. Paraíba e Maranhão, no Nordeste, e Brasília são três exemplos.
Ainda faltam investigações e estudos mais detalhados para compreender como
esses estados estão alcançando esses resultados – o que deve ser uma missão a
ser enfrentada por este Monitor da Violência.
Em comum, no entanto, as autoridades afirmam ter
melhorado a governança por meio de estratégias traçada a partir de análise
criminal, que concentrou o foco das polícias nos locais mais violentos do
estado – tendo atenção especial à investigação dos homicidas. Esses casos parcialmente
bem-sucedidos mostram que a redução das taxas não é uma utopia e pode ser
alcançada em prazo curto, desde que enfrentada com políticas públicas
adequadas.
por: Bruno Paes Manso é jornalista e pesquisador do
NEV-USP
O Pará aparece entre os dez estados mais violento do Brasil no primeiro semestre
Reviewed by Alexandre Meireles
on
agosto 28, 2018
Rating:
Reviewed by Alexandre Meireles
on
agosto 28, 2018
Rating:

Nenhum comentário