Barbalho, chamado de corrupto, aceita Couto em seu time, mas o alija de candidatura ao Senado; afinal, quem traiu quem?
O ex-senador Mário Couto, antigo desafeto dos Barbalho - pai, Jader, e filho, Helder -, aliou-se a quem tanto detonava e por quem tantas vezes foi também detonado, mas parecia estar vivendo no melhor dos mundos possíveis. Eis, porém, que por volta da meia noite de ontem, Couto viu sua vida política desabar. Abatida por uma rajada barbalhista de metralhadora.
Jader Barbalho e Helder, num golpe típico de quem calcula friamente o que faz, limaram o nome de Mário Couto da ata que homologava as candidaturas da coligação do PP com o MDB ao Senado, transformando em velório - pelo menos para Couto - a festa realizada na convenção do sábado à tarde no ginásio do Sesi.
A esposa do ex-senador, Solange Couto (veja a íntegra da postagem dela num grupo do whatsaap ), relata uma outra versão ao chamar Jader Barbalho de "caquético" e dizendo que ele se sentiu ameaçado pelo fato de Couto estar em segundo lugar nas pesquisas para o Senado, o que ameaçaria a reeleição do cacique do MDB. Ela também fala de "manobra covarde" e diz que Jader teria "na surdina" comprado com "propostas milionárias" o presidente do PP - João Salame.
Mas qual o real motivo da suposta traição de Barbalho, ou revide, para excluir Couto da ata registrada no Tribunal Regional Eleitoral (TRE)? Segundo um áudio gravado pelo próprio Couto e divulgado nas redes sociais, a razão para ele ser defenestrado da candidatura seria pelo fato de, numa entrevista levada ao ar no sábado à noite pela TV Liberal, ter afirmado que pretende voltar ao Senado para "combater a corrupção" que domina o país.
Para Couto, os Barbalho, por não suportarem ouvir a palavra corrupção, sentiram-se melindrados e decidiram retaliá-lo, tirando-o da disputa. Agora, sem nada poder fazer para manter a candidatura, pois o prazo para registro no TRE já foi encerrado à meia noite de ontem, Couto, em represália, decidiu pular no barco do candidato ao governo Márcio Miranda (DEM), opositor de Helder. Dará o troco num palanque onde será tolerado, mas não bem-vindo.
Ora, é o caso de perguntar a Mário Couto: ele não sabia com quem estava se metendo ao embarcar na aventura arriscada de aliar-se a quem tanto atacou, chegando ao ponto de em vários pronunciamentos da tribuna do Senado afirmar que os Barbalho "tinham o DNA da corrupção" e as "mãos sujas de roubalheira", entre outros epitetos edificantes?
Alegar ter sido traído é um pouco demais para quem não teve a capacidade de avaliar o próprio sentido da palavra traição. E Couto saiu do PSDB descendo o malho no governador Simão Jatene, também acusado de traí-lo.
Mas, afinal, quem trai quem nessa política que há décadas se pratica no Pará? Os eleitores talvez não saibam responder, porque estes, também cansados de ser os mais traídos - até porque também traem, sobretudo quando votam nos traidores que apunhalam suas esperanças - perderam completamente o sentido moral da traição. Batem palmas para traídos e traidores.
E assim caminha a eleição de outubro próximo, cheia de supresas, adesões, traições e descrenças. Os próximos capítulos, pelo andar da carruagem, ainda prometem fortes emoções. Ou decepções.
Infeliz Pará.
Jader Barbalho e Helder, num golpe típico de quem calcula friamente o que faz, limaram o nome de Mário Couto da ata que homologava as candidaturas da coligação do PP com o MDB ao Senado, transformando em velório - pelo menos para Couto - a festa realizada na convenção do sábado à tarde no ginásio do Sesi.
A esposa do ex-senador, Solange Couto (veja a íntegra da postagem dela num grupo do whatsaap ), relata uma outra versão ao chamar Jader Barbalho de "caquético" e dizendo que ele se sentiu ameaçado pelo fato de Couto estar em segundo lugar nas pesquisas para o Senado, o que ameaçaria a reeleição do cacique do MDB. Ela também fala de "manobra covarde" e diz que Jader teria "na surdina" comprado com "propostas milionárias" o presidente do PP - João Salame.
Mas qual o real motivo da suposta traição de Barbalho, ou revide, para excluir Couto da ata registrada no Tribunal Regional Eleitoral (TRE)? Segundo um áudio gravado pelo próprio Couto e divulgado nas redes sociais, a razão para ele ser defenestrado da candidatura seria pelo fato de, numa entrevista levada ao ar no sábado à noite pela TV Liberal, ter afirmado que pretende voltar ao Senado para "combater a corrupção" que domina o país.
Para Couto, os Barbalho, por não suportarem ouvir a palavra corrupção, sentiram-se melindrados e decidiram retaliá-lo, tirando-o da disputa. Agora, sem nada poder fazer para manter a candidatura, pois o prazo para registro no TRE já foi encerrado à meia noite de ontem, Couto, em represália, decidiu pular no barco do candidato ao governo Márcio Miranda (DEM), opositor de Helder. Dará o troco num palanque onde será tolerado, mas não bem-vindo.
Ora, é o caso de perguntar a Mário Couto: ele não sabia com quem estava se metendo ao embarcar na aventura arriscada de aliar-se a quem tanto atacou, chegando ao ponto de em vários pronunciamentos da tribuna do Senado afirmar que os Barbalho "tinham o DNA da corrupção" e as "mãos sujas de roubalheira", entre outros epitetos edificantes?
Alegar ter sido traído é um pouco demais para quem não teve a capacidade de avaliar o próprio sentido da palavra traição. E Couto saiu do PSDB descendo o malho no governador Simão Jatene, também acusado de traí-lo.
Mas, afinal, quem trai quem nessa política que há décadas se pratica no Pará? Os eleitores talvez não saibam responder, porque estes, também cansados de ser os mais traídos - até porque também traem, sobretudo quando votam nos traidores que apunhalam suas esperanças - perderam completamente o sentido moral da traição. Batem palmas para traídos e traidores.
E assim caminha a eleição de outubro próximo, cheia de supresas, adesões, traições e descrenças. Os próximos capítulos, pelo andar da carruagem, ainda prometem fortes emoções. Ou decepções.
Infeliz Pará.
Barbalho, chamado de corrupto, aceita Couto em seu time, mas o alija de candidatura ao Senado; afinal, quem traiu quem?
Reviewed by Alexandre Meireles
on
agosto 08, 2018
Rating:
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